crônicas

Dó de você sem mim

domingo, março 15, 2015


Antes de você me mandar aquela maldita mensagem e mudar minha vida de uma maneira nada positiva, eu estava conseguindo manter minha dieta, mas agora, adivinha, estou devorando um pote de sorvete rico em carboidratos malignos, assistindo meu romance dramático favorito pela milésima vez.

Quando algo ruim acomete minha vida, tenho mania de querer afundar cada vez mais, chegar  ao fundo do poço logo, ele me parece tão confortável nessa minha nova posição, como se fosse sob feito medida para mim, escuro, sombrio e isolado, a  nova nuance do meu humor cabe direitinho nele.

Canso do filme, das falas que sei de cor, da trilha sonora manjada... Abro a janela, deixo a brisa gelada da madrugada entrar, observo a cidade e penso, por mais que eu queira evitar, se agora você está ao menos um pouco arrependido de ter me largado, aliás, não só de mim, mas de você também, porque, garoto, tu não imagina o quanto da otária aqui ficou impregnada em ti.

De repente, a dor e a amargura que estava sentindo há pouco, virou dó do quão perdido você vai ficar quando perceber a persistência da minha presença dentro de si mesmo. E será tarde demais, se você me conhece, bem sabe que não sou de dar meia volta e olhar para trás.

Trilha : 


crônicas

A persistência da ansiedade

terça-feira, fevereiro 24, 2015




Tenho um defeito muito grave, sou extremamente ansiosa. Faço questão de viver nas angústias do futuro e esquecer do presente. Por mais que tudo esteja bem, insisto em me preocupar com o depois. E depois que a viagem acabar, será que vou conseguir recuperar o ritmo da faculdade? Será que tudo vai continuar do mesmo jeito que deixei quando fui embora ? Sei que não, sei que o tempo não parou só porque resolvi passar uns meses fora.

Respiro, tento guardar e aproveitar cada nova experiência que vivo aqui. Mas como não pensar em todas coisas que me esperam quando eu retornar ? Já se passaram quase três meses, desde que cheguei, e minha cabeça e preocupações continuam no Brasil. Outra característica difícil de lidar, talvez um defeito, demoro a me apegar a um lugar. Não sou fácil de cativar, por mais incrível que a  pessoa ou o destino seja.

Estou contando os dias para o inverno acabar, a neve é fofinha em um primeiro momento, mas depois é extremamente irritante. As calçadas ficam abarrotadas e você é obrigado a andar quase no meio da rua, ainda bem que os motoristas daqui são educados. Tá vendo ? Mais uma vez, ansiosa pelo futuro.

Pergunto-me, se um dia, viverei tranquilamente no agora, sem essa pressa frenética de quem não sabe onde vai chegar.

contos

Visitando o passado

quinta-feira, janeiro 15, 2015


Após percorrer cada aposento da casa, ela finalmente chegou ao seu quarto. Estava escuro e empoeirado, mas mantinha a mesma essência. Tantas lembranças e recordações, que Dora imaginava já ter esquecido, vieram à tona. Seus pensamentos nostálgicos fizeram seu corpo estremecer e uma tontura percorreu-lhe a cabeça. Sentou-se na beira da cama  e pegou a garrafinha de água que nunca p faltava em sua bolsa. Por um momento, se arrependeu de ter ido até ali, sua velha casa, onde cresceu com as irmãs e conheceu seu primeiro amor, Luiz, três anos mais velho. 

Começou, estranhamente, a desfrutar do sofrimento de ter que lidar com memórias tão profundas. Dora avistou o espelho e tirou um pouco do pó que estava se acumulando ali há vários anos. Teve um devaneio piegas, onde se imaginava entrando no espelho e saindo do outro lado mais jovem, então poderia fazer tudo que teve vontade e com medo do que todos iriam pensar não fez, seria menos orgulhosa e cabeça dura, olharia para trás e  mudaria o quanto fosse necessário para ser feliz...

Continua aqui